18/04/2014

#partiu #para #sentir

Falamos em terceira pessoa, pois a necessidade de contar uma história sobre nós mesmos, ou seja, de “literalizar” a vida, é recorrente. Queremos contar para onde vamos e o que temos feito, como se o preâmbulo de nossas histórias pudesse interessar a toda gente. Todos têm histórias para contar, basta acessar a imaginação e deixar a escrita tomar forma. O mundo virtual possibilita que as pessoas assumam perfis, encontrem-se em meio às estórias que contam sobre si mesmas. Também possibilita exercitar o narcisismo, o egocentrismo, além do puxa-saquismo, é claro.
Partimos, e fazemos questão de reiterar que partimos, pois o cotidiano, aos olhos de quem parte, não possibilita a novidade, não garante a viagem, não nos faz partir em pensamentos, em desejos satisfeitos, em desafios instigantes.  Basta exercitar o olhar e perceber o quanto podemos partir e retornar, inúmeras vezes, em pensamentos, por meio da leitura, da escrita, da meditação, da ação que nos remete ao que sentimos um dia, que faz parte de quem somos e que nos permite algum aprendizado.
Existe a possibilidade de partirmos e retornarmos, ao bel prazer, ao lermos um livro. #partiu #leitura, uma boa forma de se conectar com a viagem de que tanto necessitamos. Ao menos encontramos boas histórias, conhecemos novas culturas e sempre ampliamos o nosso conhecimento.
Também é possível fazer isso ao meditar, conectando-se com a sua essência natural, a ausência de pensamentos, o vazio. Meditar possibilita limpar a mente de pensamentos negativos, acalmar os sentidos, ouvir o coração, exercitar a compaixão.
A futilidade que dita a atualidade, a qual chamo de futilidade maldita, faz com que escrevamos #partiu, como se estivéssemos gritando aos quatro ventos que “compramos” mais uma experiência. Compramos mais do que somos. E contamos histórias mais do que vivemos, porque a necessidade de contar, na atualidade, parece mais forte do que viver. Falar, berrar, gritar, muitas vezes, ferir com palavras negativas têm sido mais recorrente do que ouvir, ler, sentir. Fotografar o instante para vivê-lo depois, acessando as fotos. Quando vivemos intensamente, partimos ao encontro do aprendizado, do olhar de quem observa.

Com a simbologia da Páscoa, de morte e renascimento, podemos partir ao encontro de quem fomos, de quem somos e de quem poderíamos ser. Podemos observar a possibilidade de viver mais um dia com a vida que nasce com o nascer do sol. Precisamos de mais ovos vazios para enchê-los com cri-cri, unidos, ao invés de ovos com brinquedos, pois a ausência possibilita a criatividade. Nessa época, temos a oportunidade de resgatar o sentido de ter em mãos um ovo vazio e poder preenchê-lo com sentimentos.


10/04/2014

Sonhar é acordar-se para dentro


Vivemos em meio às imagens, elas estão por todos os lados, na televisão, na internet e nas redes sociais… Construímos representações e interpretações da realidade, criamos exemplos, paradigmas, seguimos tendências e padrões de consumo. Vivemos na era da informação, da tecnologia e das imagens. E tudo isso é muito rápido, veloz, somos quase  “invadidos” cotidianamente por notícias que nos remetem a princípios e valores básicos que podem reger ou não as nossas ações, tais como como ética, respeito, solidariedade, dignidade…e tantos outros. É certo que não temos refletido devidamente sobre o que se passa, estamos anestesiados em nossa zona de ilusório conforto por vários motivos, dentre eles, a impressão ou a certeza de que nada substancial poderá mudar por meio da nossa atitude. Talvez não tenhamos mesmo disposição nem ânimo para arregaçar as mangas em meio a tantas mudanças e sentimos medo. Fugimos do medo e de qualquer desilusão que a vida possa nos causar. Lavamos as mãos, criticamos, mas também não fazemos nada, preferimos viver na ironia. Parece que não fomos preparados e não sabemos como nos comportar em meio à crise de valores e princípios que assola o mundo, esta mesma crise que também pode ser econômica, ambiental, dependendo do ponto de vista.
Com o passar do tempo, temos a oportunidade de rever as nossas ideologias e revisar os  nossos conceitos. Páginas são viradas, novas histórias são contadas e somos apanhados por uma nova visão. Todo esse processo de evolução pode ocorrer lenta ou rapidamente, conforme a doação de quem vive. A maioria prefere a estagnação, é mais cômodo não mudar, não provoca crises, não causa medo, nem insegurança e desilusão. Basta o sofá e a tevê pra ver a vida passar - a dos outros, não a sua.
Mas algo comum a todos nós é o sonho. É o sonho que alimenta a gente. Se deixares de sonhar nada tem muito sentido. Os dias passam sem um propósito maior. Sonhar é acordar-se para dentro, como diz o poeta Mário Quintana. Não existe descrição mais apropriada. Um novo mundo pode existir dentro de nós, uma nova realidade. Quantos sonhos se realizam e quantos são jogados ao vento pela descrença e pela negatividade? Acordar-se para dentro e manter-se acordado, longe dos abutres da incerteza. Estamos sempre apostando em nossos sonhos, insistindo, caindo e nos levantando, porque desejamos e acreditamos, apenas isso. Seja o que for, lute e acredite no seu sonho. Mais dia, menos dia, na melhor das hipóteses, tem a chance de vê-lo acontecer. E se não tentar, nada acontece. Basta ter a ousadia de sonhar.
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