06/11/2014

Sobre o diabedo

     
Ilustração "Pobre mãe, pobres filhos", do ilustrador Liberati.
Fonte: http://liberatinews.blogspot.com.br/
          
       Diabedo é um adjetivo utilizado pela população em geral, no interior do Rio Grande do Sul, para caracterizar pessoas que nascem, crescem, reproduzem-se e morrem, sem pensar nas conseqüências dos seus atos. São pobres diabos que vivem em condições de extrema pobreza espiritual e cultural, muitas vezes também material. Adjetivo que refere-se ao “diabo”, ao “anjo caído”, que caracteriza pessoas que são atraídas pelo "lado mal da força".
     Essas pessoas, chamadas de “diabedo”, algumas vezes vivem em situações de extrema vulnerabilidade e têm dificuldades em aprender com os seus próprios erros e com os infortúnios dos seus pais, avós e bisavós. Infelizmente, repetem padrões de “diabedo”, talvez por falta de oportunidades. Algumas vezes recebem conselhos, mas não os ouvem, sentem prazer em colocarem-se como vítimas da situação, pois não acreditam em possibilidades de mudanças. Não se vêem de outra forma, a não ser como pobres de espírito, ignorantes e sem chances de se inserirem na sociedade.
     O pobre “diabedo” bate a cabeça contra o muro, insiste em fazer as mesmas coisas, as erradas, repetidamente. Usa palavras chulas, de baixo calão, para referir-se aos outros, na realidade, esse comportamento traduz apenas uma baixa autoestima. O diabedo costuma mostrar os dentes apenas quanto pressente algum benefício próprio.
     Comumente, alguém é tachado de “diabedo” quando não gosta de trabalhar, prefere ficar tomando chimarrão ou um trago no pátio de chão batido, sem uma florzinha sequer, fumando um cigarro ou um palheiro. Anda perambulando pelas ruas, pedindo um troco, recebe inúmeros auxílios do poder público, de instituições e de particulares. Quando tem de retribuir, acha tudo difícil. Quando trabalha,  acha que está fazendo um favor ao seu patrão. Chega atrasado, olha sempre para o relógio, não tem sentido de organização, não cuida do seu visual e arranja desculpas para tudo...
      Diabedo também tem na classe alta, aquele tipo de gente barraqueira, que adora ver os outros se dar mal, que tem a língua solta e a mente mole. Queimam dinheiro com bobagens, tem prazer em se mostrar, gostam de escândalos, tem mau gosto para se vestir e cultivam hábitos vulgares.
     Alguns tipos de diabedos bebem, fumam, xingam, brigam e, muitas vezes, até roubam. Não trata bem aos seus. Usam drogas. Vivem em círculos, correndo atrás do rabo, tristemente. Por isso são pobres diabos e não bandidos. Bandido bate, estupra e mata. Diabedo pode ser bandido em formação. Veja bem: “pode ser”, verbo de ponderação, visto que sempre existirá uma luz no fim do túnel para quem deseja sair dessa condição.
     Admitindo ou não, analisei o diabedo com um certo preconceito. Sei que é difícil deixar de ser diabedo. É um problema social complexo e cheio de nuances. Infelizmente, esse adjetivo ainda continuará em uso corrente, indefinidamente, até que a educação seja uma prioridade de fato.

03/11/2014

Prece ao novo ciclo

Que a efemeridade da vida seja encarada com delicadeza, que os dias sejam mansos, que eu possa estar com o coração no presente, que eu tenha mais discernimento ao viver, sempre atenta ao que respeita e desrespeita a minha essência. 

Que assim seja!

Iniciando um novo ciclo!


Foto: Dago Vianna
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