26/06/2013

Caleidoscópio de mim mesma



Sou eu, entre muitas. Entre tantas, me perdi. Entretanto, retornei ao cerne de tudo. Sobre mim mesma, quem fui e a mulher que pretendo ser: mil. São dezenas de modos de ser, milhares de fragmentos, partes de um todo. Inteira e cheia de sentido, cheguei a um número precioso. Zero. E foi do zero, imprecisamente, a partir no vazio, que iniciei o caminho.
Nascer do sol - Praia Recanto dos Padres, Bombinhas - SC (foto: Larissa Scherer)
A verdade em si mesma, primeiramente, é que não existem verdades supremas. Olhei para todas as faces e, simplesmente, enrubesci. Como pude acreditar que sabia alguma coisa? E de olhar para o abismo, tive a impressão de estar seguindo por um caminho longo e porque não dizer árduo. Olhei para dentro, naveguei no mar de verdades e ficções em torno de mim mesma.
“Navegar é preciso, viver não é preciso”. E das referências, e também em meio à falta delas, segui... Caminhei apenas. Durante anos que foram meses ou dias, minutos, segundos. Um segundo somente para perceber o quão insignificante sou perante o universo que posso ser. Uma eternidade acumulada agora, de muita experiência e talvez algum descaso perante o mundo que existe em cada dia vivido.
Não foi necessário um Caminho de Santiago para chegar à escrita. Ela sempre esteve presente. Aliás, sempre acreditei que a escrita é capaz de fundamentar a existência, talvez seja até um reflexo dela, como um espelho. Entretanto, a cegueira perseguiu-me durante anos, talvez por medo, insegurança, afinal, como seria aventurar-me por este percurso. Estou nesta jornada. E sou parte dela. Com a angústia entranhada e a inquietação como um norte para o desafio, devo estar chegando em algum lugar. Não sei bem onde, mas deve ser precioso, como um segundo de existência.
Do prazer em inquietar-me que nasceu este blog. Agora sim, sejam bem-vindos ao meu lar!

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